domingo, 24 de janeiro de 2010

A rosa.

Oh sim... chegou a hora de rosa!
Esta foi elaborada sem nenhum apetrecho humano.
Esta que contem resguardada o mais singelo aroma... será cravada sobre mim.
Sim, Eu, um lapela.
Um lapela inDIGNO da beleza do augusto penhor de sua total realeza.
A rosa, caro leitor, é para mim a maior de todas as honras.
Porque é o reconhecimento do poder de sedução e de presteza que tenho.
É a gratidão pelos serviços que presto à Ele.
A rosa, querido leitor,
É para mim a mulher a qual não pude me deleitar...
É a mais simples e a mais exuberante das criaturas.
É o último suspiro vital da alma...

Para uns (camisa) a gravata, à outros (bolso) o lenço... à muitos (botões) as casas...
Mas... somente à mim, a rosa.

Lapela, C.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Uma perfeita simetria.

Agora já sinto todo o poder invadir minhas entranhas. Camisa, gravata... lenço, botões. Uma perfeita simetria se forma no espaço plano. Os lados iguais, pesando o coração por apenas um suave lenço... que por sua vez equilibra os botões que moram logo ao outro lado.
O último toque na arrumação... a boa ordem que uma vez almejada, já aparece translúcida no nó de gravata.
Leve perfum, desses encontrados em “meisõns di Parrirs”, irão exalar todo o sentimento para ser apreciado na atmosfera noturna.
Ao cabelo, aquela velha e último arranjo... esses que só os boêmios conseguem!
Tudo pronto, tudo certo.
Ah, sim... só mais uma coisa, o toque feminino...
Com um leve toque Ela sente o tecido da camisa... como se já não estive boa, ajeita o nó da gravata... com suaves toques percorre os adornos, um a um...
E então, somente depois disto... A rosa!

Lapela, C.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O botão!

Vejam só quem já está marcando presença... os nossos queridos inquilinos, os botões. Criaturas mais adoráveis e bizarras que já conheci...
Vejam só que paradoxo... Enquanto eles são feitos de plástico e duros como ossos, sou aparado pelos mais nobres e macios tecidos...
Eles possuem casas de sobra para hospedar outros e mesmo assim necessitam desse terno para fincarem...
São triplos de um, enquanto apenas dois realizam o serviço. (e não me perguntem por que o paletó possui três desses e Ele só usa dois... vai entender!)
Depois, por mais simples que sejam, possuem uma tarefa indispensável... e por mais elegantes que sejam, não passam de meros botões...
São agradáveis... espetaculares para ser mais cordial.
Depois não posso negar, fazem um favor imenso a este pobre lapela. Une as minhas extremidades dando uma sensação tão boa de frescor... tudo fica mais doce, mais formidável... ajudam a manter o bom decoro da veste.
Queridos botões vocês são hilários... e compreensivos.
Só uma única coisa que me faz ficar constrangido em tê-los por aqui... São os únicos que não ouvem... não possuem vida própria de fato. Porém, são os únicos à quem Eles dirigem palavras... afinal, quem nunca falou com os próprios botões?

Lapela, C.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O lenço...

Bem, vejo que já é hora de arrumar-me. Sair da baixa visão de um roupeiro e subir os andaimes...
Ele já pôs a camisa, lucrou pouco com a gravata... hum... estão combinando. E por fim... zup! Pronto.
Vestiu o paletó... e eu, estou aqui... sobre seus ombros. Ainda nem saímos, mas já posso sentir o deleitar dos elogios: “Nossa, sua elegância está transbordando hoje.” “Olha, hoje você cerrou os olhares... parabéns!”.
Sim, claro Sr. Não vá esquecer do lenço à sua reserva cosida no peito. Lenços pretos... isso... camisa preta, gravata prata... lenços pretos... um encanto.
Só não encho-me de pesar por ele, porque sei o meu lugar. Onde estou, tenho uma visão mais salientar. É fato que muitos olhares te vêem..., te tocam... mas somente eu, sou fundamental neste passeio.
Creio que será uma noite fascinante.

Lapela, C.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Dentro do roupeiro...

Hum... já sinto o velho perfume da naftalina sob o ambiente... sim, é o roupeiro.

Um roupeiro para roupas peculiares... às demais, (refiro-me às alfardas) abrigam-se no velho guarda roupas ao lado da lareira.

Por falar nisso, tenho reparado muitas coisas ao longo dos tempos... Tudo muda, mas o que realmente é necessário permanece.

A velha lareira dEle, deu lugar ao novo aquecedor à gás. No velho guarda roupas, jazem somente algumas peças. As demais temo dizer que já não estão mais lá... Acho que mudaram-se para o closet da madame, ao lado do banheiro.

As peças de gala continuam sempre lá... no roupeiro. Lá é que me escondo durante o dia e salto-me para os corpos durante à noite. Porque só o que realmente é necessário permanece.

Desculpe querido leitor se posso estar transformando minhas memórias em simplesmente num alfarrábio... creio que não é a intenção.

Hoje me deu vontade de falar do meu canto, do meu lar... Talvez um tanto pouco contraditório ao que me predispus à narrar... creio que a visão de dentro do roupeiro não é tão “de cima” assim... Todavia é uma boa visão.

Está na hora de ir... Ele já vai arrojar-se.

Lapela, C.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Saudações...

Oi, tudo bem?
Bom, creio que muitos talvez saibam o que sou... ou melhor, quem sou.

Sou a parte fundamental da vestimenta dos homens... Uma lapela, ou um lapela, é o rebuço do paletó... É o "borogó" (da roupa) que as mulheres agarram e ficam fascinadas...

  • Bom..., o por que do Craft?
Isso porque pra ser Lapela é necessário muita astúcia... é preciso ser artista...

Eu sei me dar bem... Pois vejo o mundo de cima!
Sei o que Elas querem, o que Elas desejam...
Sei quando preferem um bom moço ou um fantástico diabinho!
Sei rir na hora certa, sei sofrer junto dElas...
Não cometo gaffs (nunca chamei uma donzela de gorda...) e isso é o que Elas mais apreciam...
E por fim... porque enfim... ah, não sei! (risos)

  • O que eu faço aqui?
Bom, essa não é difícil...

A minha plateia pedeu o assento... (ou seria acento? [risos])
Não sei ao certo porque estou aqui... quero escrever, apenas isso...
Sinto-me constrangido em não poder seduzir as lindas mulheres que vejo... preciso sempre me contentar com a doce e apreciada rosa que sobre mim é espetada (na maioria das vezes).
Preciso respirar,
preciso andar...
preciso gritaaar!

Preciso viver...

  • O que eu venho falar aqui?
Essa é boa!

Vim fazer o que todos os caras fazem... (calma, não falo de me masturbar) eu vim escrever!
Sim, escrever coisas úteis, e fúteis também...
Gosto do quente, do gelado... do calor e a neve...
Gosto de correr e andar, me contradizer...
Filosofar... Tomar café... Vai um capuccino ai? (risos)
Vim escrever minhas asneiras...
e se há alguem neste mundo que não goste de escrever asneiras... é um complexado!
As bagatelas do dia a dia nos faz ver que a vida pode ser simples... que a folha cai da árvore simplesmente porque é hora de cair... tudo bem, quem sou eu pra falar de vida, não é?
Garanto que não sou muito... mas graças ao meu esforço, posso mais do que devia.

  • Quem vai ler?
Bom... isso eu ainda não pensei... acho que talvez... você esteja lendo, certo?


Acompanhe o decoro das minhas "falácias"...

Ah,
e o prazer é tooodo meu!
Volte quando quiser...

Lapela, C.